Tempestades de neve e gelo podem criar cenários visualmente apelativos vistos do conforto de casa, mas tornam-se rapidamente perigosas quando é necessário sair à rua. Um passeio aparentemente banal pode transformar-se num acidente grave com um simples passo em falso, sobretudo quando o pavimento está coberto de gelo ou neve.
Não existe um registo exaustivo de lesões associadas ao clima invernal, mas estudos indicam que o número de quedas aumenta significativamente nestas condições, em especial entre pessoas mais velhas. Ainda assim, qualquer pessoa está sujeita a escorregar quando os passeios ficam gelados. Segundo a ‘Scientific American’, há uma forma simples de reduzir esse risco: andar como um pinguim.
O “andar do pinguim” explicado pela ciência
A recomendação é de Gabriela Murza, professora associada de saúde e bem-estar da Universidade Estatal do Utah. A ideia não passa por imitar literalmente a ave antártica, mas por adotar uma marcha mais segura. Caminhar com os pés totalmente apoiados no chão e dar passos curtos ajuda a aumentar a área de contacto com o solo e a manter o peso mais centrado, reduzindo a probabilidade de escorregar.
De acordo com a ‘Scientific American’, esta abordagem contrasta com a marcha habitual, que começa no calcanhar e termina nos dedos, tornando o corpo mais instável em superfícies escorregadias. Murza aconselha ainda a manter os joelhos ligeiramente fletidos, o que aumenta a estabilidade e diminui a pressão na região lombar.
Pequenos gestos que fazem a diferença
Em dias de frio intenso, o multitasking também se torna um risco. Guardar o telemóvel e caminhar com atenção total ao percurso é essencial. Os braços devem estar fletidos e as mãos fora dos bolsos: se ocorrer uma queda, esta posição permite amortecer o impacto com os antebraços, protegendo zonas mais vulneráveis como os pulsos e o rosto.
As horas mais perigosas são, em regra, a noite e o início da manhã, quando as temperaturas são mais baixas e o sol ainda não ajudou a derreter o gelo. Murza alerta para o chamado gelo negro — transparente e difícil de identificar — bem como para placas de gelo escondidas sob neve ou água de degelo.
Um alerta que também se aplica a Portugal
Embora estas recomendações surjam num contexto internacional, o risco é particularmente relevante em Portugal neste fim de semana. O continente começa a sentir, a partir deste sábado de manhã, os efeitos da depressão Marta, que traz chuva intensa, vento forte, neve e agitação marítima, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
Os maiores acumulados de precipitação deverão ocorrer a sul do rio Tejo, incluindo a região da Grande Lisboa, com valores que podem atingir cerca de 60 litros por metro quadrado em 24 horas. Nas zonas de maior altitude, a precipitação cairá sob a forma de neve acima dos 900 metros, com acumulações superiores a 25 centímetros na Serra da Estrela.
Com avisos meteorológicos em várias regiões do país e pavimentos potencialmente escorregadios, caminhar com cautela torna-se essencial. Em dias de gelo, um passo mais curto e estável pode fazer toda a diferença entre chegar a casa em segurança ou acabar numa ida inesperada ao hospital.









